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Mais cultura para a sua marca

08.03.2017

Nosso produtor cultural e diretor executivo, Qiah Salla, deu uma entrevista à Revista Premier, de Joinville. Ele falou sobre as leis de incentivo à cultura e contou como esses mecanismos podem beneficiar as empresas e a comunidade, tanto no contexto nacional como estadual.

 

Confira a entrevista na íntegra.

 

 

 

1. Qual a sua experiência com projetos de cultura e leis de incentivo? Num balanço geral, essa experiência é positiva ou negativa?

Sem dúvida a experiência é positiva! As leis de incentivo são mecanismos que potencializam a relação entre as empresas e os projetos culturais; entre as empresas e a sociedade. É importante que saibamos que os projetos culturais beneficiam diretamente a sociedade, por isso é um direito fundamental presente na constituição brasileira. A cultura é transversal e contribui com a qualidade de vida, expande o senso crítico, é o que ressignifica nossa existência e cria a sensação de pertencimento à uma sociedade!

Na relação onde existe este patrocínio por parte da empresa, estes dois players (empresa e proponente) possuem uma relação que, se bem planejada, só traz benefícios para ambos. De um lado a empresa, que pode fortalecer seu posicionamento de marca, projetar sua empresa e criar relações simbólicas e efetivas com uma comunidade. Assim, demonstra seu comprometimento social, com a qualidade de vida, com a sociedade contemporânea. De outro, temos o proponente (e aqui podemos falar de teatro, dança, música, cinema, literatura, etc.), que executa um projeto cultural que pode ter diversas configurações e desdobramentos.

 

Não há como não citar a importância da Votorantin, da Eletrobrás, do Bradesco e de outras instituições no patrocínio de projetos culturais. As empresas joinvilenses que entenderem o potencial mercadológico do apoio à cultura em Joinville, sem dúvida terão (ou têm) muitos resultados positivos!

 

Existem diversos mecanismos de incentivo à cultura! Existem os editais diretos (prêmios), onde o poder público recebe as inscrições, realiza a curadoria e repassa o recurso de forma integral ao projeto cultural; e existem os mecanismos de mecenato, onde o poder público cria formas de estimular o patrocínio de empresas a projetos. No caso de Joinville os dois mecanismos estão em funcionamento. Já a esfera estadual (Santa Catarina) não possui o mecenato (e o seu edital direto também não acontece desde a edição de 2014). Em São Paulo, por exemplo, o mecanismo de mecenato estadual faz circular na área cultural cerca de R$ 160 milhões por ano, que as empresas deduzem do seu ICMS e se beneficiam fortalecendo a sua marca, posicionando-se melhor no mercado e criando relações incríveis com comunidades e públicos-alvo.

Atualmente estou em São Paulo, atuando em uma empresa especializada na assessoria para empresas que desejam utilizar o mecanismo fiscal (Genuí). Não apenas através do viés culturais. Dependendo da configuração tributária da empresa, ela poderá investir em esporte, cultura, assistência social, infância, idosos e outros. Nosso trabalho é justamente descobrir os potenciais disponíveis e criar uma linha de projetos que sejam interessantes para a empresa estar envolvida. Através de uma metodologia de ISC (Instância de Segurança Corporativa) conseguimos garantir que os projetos e as empresas estejam alinhados profundamente, gerando resultados positivos para todos os envolvidos nesta relação de ganha-ganha.

Já coordenei diversos projetos e eventos que contaram com as mais variadas fontes de patrocínio. Na renúncia fiscal vale citar a participação de empresas como: Bradesco, Havan, Frahm, Pré-Fabricar, ZM, Auto Elite, entre outras.

2. Qual o cenário para projetos culturais em Santa Catarina?

Atualmente o cenário não é muito amigável. Os mecanismos estaduais passam por uma grande estagnação. Infelizmente parece que o estado ainda não percebeu a importância da cultura e seus potenciais mercadológicos. As políticas públicas para a área atualmente estão paralisadas e poucos municípios têm conseguido garantir equipe qualificadas à frente de suas pastas de cultura – o que dificulta ainda mais o processo. Também acredito – dentro deste viés - que este é um momento em que o cenário nacional está passando por uma reestruturação e muitas mentalidades tendem a se modificar futuramente.

3. Qual o perfil das empresas que investem em cultura na cidade?

Bem. Como não atuo diretamente em Joinville esta análise poderia ficar um pouco injusta. Mas, sem dúvida, são empresas comprometidas com a cidade e inteligentes por utilizarem e conhecerem os benefício do mecanismo. Posso citar um projeto incrível de Educomunicação que vi acontecer na cidade durante alguns anos que recebeu o apoio da Embraco. Sem dúvida esta é uma empresa que somou respeito em diversos lugares e cenários devido ao projeto apoiado!

4. Por que investir em cultura? Além do abatimento de impostos, qual a principal vantagem de colaborar com um projeto cultural?

Eu gostaria de perguntar “por que empresas não apoiam projetos culturais”, já que se o trabalho for realizado com planejamento e expertise só tem benefícios? Vamos imaginar uma comunidade onde uma vez por semana aconteça uma apresentação de teatro, de cinema ou musical e aquela apresentação é patrocinada pela uma “empresa X”. A relação desta comunidade com a empresa será muito diferente, pois associará a experiência cultural agradável com a marca e isso gerará indicação, compra ou respeito à marca. Isso não serve apenas para a cultura: lembremos dos mecanismos para esporte, assistência social, idosos, etc. Vamos pensar rapidamente em ações como o Itaú Cultural, o Teatro Vivo, o Teatro da SCAR (em Jaraguá do Sul) e o Centro Empresarial Social e Cultural de Brusque (CESCB). Não há como negar a projeção destes centros a nível nacional e internacional!

Vamos pensar, agora, que a empresa saiba de todos estes benefícios e explore isso em sua comunicação institucional, em seu balanço social e – ainda – crie uma linha de projetos que no fundo contribuem com uma mesma causa – relacionada à empresa. Ela poderá ser sempre lembrada quando a causa for pautada (lembremos do Projeto Tamar). As pessoas associarão à empresa com a causa e entenderão o seu comprometimento com a sociedade, com um mundo melhor! Pensemos ainda que esta apresentação seja marcante na vida do público, a sensação e respeito pelos envolvidos só tende a aumentar.

 

Conheço pessoas que escolhem seus fornecedores pelos projetos sociais, esportivos e culturais que estão envolvidos.

Muitas vezes as empresas nem sabem que possuem recursos disponíveis para investir em projetos. Pagar os impostos sem conhecer os mecanismos fiscais e seus benefícios de posicionamento de marca e outros é, no mínimo, perder uma grande oportunidade. Ainda mais em tempos de crise – onde se reinventar e aparecer para o consumidor faz toda a diferença.

5. Qual a principal estratégia/abordagem de um produtor cultural para a captação de recursos?

O captador deve entender os potenciais do mercado cultural e entender sobre o “negócio” envolvido. Deve ter um portfólio sólido. Quando é criada uma certa autonomia o patrocínio normalmente se fideliza ou, ainda, empresas buscam o serviço do captador pois sabem da qualidade e do potencial de análise dele para destinar o recurso da empresa a projetos que tragam grandes benefícios. Quando a empresa possui uma assessoria e desenha a linha ideal de projetos a serem patrocinados, sem dúvida irá atrás dos projetos – invertendo a lógica do mercado de captação e ampliando os resultados da empresa e dos projetos envolvidos.

6. Como você enxerga as leis de incentivo como a Lei Rouanet e do Audiovisual? O que há de positivo e negativo nessas iniciativas governamentais?

As atuais legislações de incentivo à cultura e ao esporte, sem dúvida, precisam ser aprimoradas. É preciso que entendamos que todo este processo leva tempo. A Rouanet possui algumas falhas que são criticadas pelas empresas, pelos próprios artistas e pela própria comunidade. Ainda assim hoje é o principal mecanismo de incentivo à cultura e está disponível a todas as empresas tributadas sobre o lucro real. Deixar de usar o mecanismo porque necessita de melhorias é o mesmo que tirar as crianças da escola porque a educação não é boa! Estes mecanismos só serão aprimorados quando as gestões, as empresas e os artistas discutirem conjuntamente a economia da cultura e negociarem de igual da igual – já que é um sistema que se retroalimenta. Vale citar que o objetivo final destas leis não é o benefício para a empresa ou o recurso para o projeto artístico. É, sim, a comunidade que também é o público, o cliente, o consumidor e o eleitor.  

Entrevistadora: Fabiane Lima Ribeiro (Revista Premier)

Data da entrevista: 06 de fevereiro de 2017

Publicado na edição Premier 115 (março de 2017)

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